A ciência avança em alta velocidade em relação ao uso de células-tronco no tratamento de várias doenças. Testes clínicos já são feitos para saber qual a contribuição delas no combate à diabetes, cirrose hepática, fraturas ósseas e queimaduras de alto grau. Muitas vezes, por falta de conhecimento, o material não é coletado do tecido do cordão umbilical – uma das fontes de células-tronco – e os pais lamentam terem perdido essa oportunidade. Agora, surge uma nova alternativa: armazenar as células-tronco mesenquimais (que são as que tem capacidade de se diferenciar em diversos tecidos) no processo de troca de dentes de leite pela dentição permanente.

“A coleta a partir da polpa de dente de leite é simples e permite aos pais que façam aquilo que seguramente queriam ter feito no momento do parto: armazenar as células-tronco mesenquimais mais jovens possíveis”, explica a diretora do StemCorp. Além da polpa de dente, a pesquisa revelou que o tecido adiposo e o tecido do cordão umbilical (e não o sangue como se fazia antes) são ricas fontes de células-tronco mesenquimais.

Para a coleta das células-tronco mesenquimais na troca da dentição, a StemCorp fornece um kit aos pais. Basta colocar o dente no pote indicado, assim que ele for extraído, em casa mesmo, como acontece normalmente, e enviar ao laboratório. “A partir deste material, fazemos o isolamento das células-tronco mesenquimais e posteriormente o armazenamento destas células”, conta a pesquisadora.

Os mesmos pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-tronco da USP (Universidade de São Paulo) que descobriram, durante a Tese de Doutorado, que as células-tronco mesenquimais, presentes no tecido do cordão umbilical, são muito mais valiosas do que as do sangue, estão agora à frente da StemCorp e trabalham com a coleta e armazenamento de células-tronco de diferentes fontes. O estudo foi publicado nas mais conceituadas revistas científicas do mundo. As células-tronco mesenquimais possuem várias vantagens, de acordo com as pesquisas realizadas pelo grupo: são as mais adaptáveis, podem se transformar em células de diferentes tecido, e, por isso poderão ser usadas para diversos fins.

“Quanto mais jovens a célula-tronco mesenquimal, melhor. E com a criopresevação (o congelamento a baixas temperaturas) ela se mantém com a mesma idade em que foi coletada”. Esse material poderá ser usado no futuro e, o que é mais importante, existe a possibilidade de expansão (multiplicação em laboratório), sem perda de características e propriedades. “A tecnologia e o conhecimento científico para a expansão de células-tronco mesenquimais não é simples, requer laboratórios de alto padrão e profissionais de ponta, mas permite o uso em mais situações”, explica a pesquisadora.

FONTE: NOTICIAS.TERRA